Dia 19/02/15 o programa humorístico Tá no Ar da rede Globo (que surpresa!) apresentou uma animação de nome Galinha Preta Pintadinha usando canções com referências afro parodiadas da animação original Galinha Pintadinha de publico infantil. Foi apresentada sobe o mesmo contexto de paródias a Galinha Convertidinha e seu amigo Cão Pastor com cunho evangélico antagonizando com a anterior. A Globo acerta ao criticar a forma capitalista como as igrejas vem se perpetuando mas erra feio erra rude ao atar à corda a Galinha Preta Pintadinha e efetuar o que parece um exorcismo. Qual a intenção dessa associação senão marginalizar e ridicularizar o Candomblé, Umbanda e demais cultos afro-brasileiros.O humor tem sua característica divertir, tirar riso, tornar cômico uma situação, o que não entendo é como a ofensa se encaixa nisso.
Certa vez me veio em mente uma observação. As pessoas parecem se sensibilizar mais com desastres em massa como as bombas atômicas no Japão e o Holocausto durante e segunda grande guerra, com grande numero de mortos em curto prazo. O mesmo não ocorre com o processo de escravidão que durou longos anos matando e induzindo sofrimento por longos períodos, sofrimento este que se adaptou se mantendo até os dias de hoje aos descendentes das pessoas que foram escravizadas. Me pergunto se a situação seria a mesma se por ventura em um ato de ódio e descontentamento vários "sinhôzinhos" ateassem fogo em umas 45 senzalas lotadas de escravos?
Com o advento das novas tecnologias, aqui citando a telecomunicação, as noticias chegam as pessoas mais rápido e em alguns casos em tempo real, nesse meio tempo opiniões são divulgadas e nesse caso induzidas sobe a forma de humor.
O humor faz uso de algo que particularmente acho sensacional, os bordões, palavras ou frases que são a identidade do personagem e da mensagem a ele associada, diferenciando dos demais, eternizando-o na memória das pessoas. E é ai que mora o perigo. A eternização de uma ideia, conceito ou opinião.
Uma informação resumida é mais fácil de ser assimilada o problema é quando ela é deturpada como é o caso dos cultos afro que no seculo XX foram duramente perseguidos pelas autoridades e por algumas igrejas católicas que associou alguns termos pejorativos ao se referir a eles, como é o caso da palavra macumba que passou de instrumento musical à despachos em cruzamentos, a Pomba Gira de especialista em amor e mensageira dos Orixás à demônio, Exu de guardião entre o mundo material e o espiritual à demônio, entre outros. Como podem ver tudo associou-se a algo ruim.
Sou descendente de negro e índio e escuto de um tudo sobre ambos, as pessoas tem um criatividade incrível, mas algumas coisas realmente me entristece principalmente quando são baseadas na ignorância. Estamos na que chamam a era da informação e é justamente o que grande parte da população não a busca, justo atualmente quando ela é mais acessível.
As pessoas falam sem saber, falam o que “acham”. Eu particularmente ainda não tive oportunidade de conversar com um adepto dos cultos afro-brasileiros o que sei é o que leio em livros e revistas cientificas e culturais e justamente por isso evito disseminar achismos por onde vou.
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