26 de set. de 2012

Abre A Mala E Solta O Som.


Quem disse que a MPB tem maior valor que o Calypso?
Não concordo em aspecto algum com comentários preconceituosos sobre esse ou aquele ritmo. Já começa pela supervalorização do que é externo, como sempre a grama do vizinho é mais verde. Artistas internacionais em alguns casos são mais valorizados que artistas locais, suas músicas são mais conhecidas e arrancam suspiros, balanços e comentários do tipo: “Nossa essa música é linda!”. Provável que seja, mas as criaturas da massa não sabem nem falar português veja lá entender ou falar inglês, uma vez que a maioria não sabe. Só se for colocando no Google Tradutor e depois que a página é fechada some tudo da cabeça.

E ai de quem comente ou compare artistas nacionais numa mistureira de ritmos. Ai a coisa fica feia: “Fulano é melhor”, “ Não, não, Deus me livre!”, “ Não sei como você ouve isso!”. Pular da ponte ninguém quer.  Temos quem imaginar o seguinte; cada ritmo brasileiro nasceu em um determinado período sendo produzido por um determinado grupo para um determinado grupo. Vale lembrar que a diferenciação básica do status do ritmo, assim como a maioria das coisas, é a posição social e aquisição financeira do grupo produtor. Um ótimo exemplo é o ritmo conhecido como Brega no norte do Brasil que surgiu paralelamente com a Bossa Nova no sudeste.  Enquanto o ritmo nortista vinha com suas letras simples e diretas voltadas para o dito “povão” a Bossa Nova aparecia com suas belas letras poéticas e rebuscadas para a elite, e essa mesma elite tachou a primeira de Brega, ou seja, inculto.

Convenhamos que ritmo algum se sobrepõe a outro. Cada um tem seu espaço, público e ocasião. Acostumamos demais a destilar veneno sobre assuntos que não temos base alguma, especialmente nessa geração 2000 que esquece tão rápido de acontecimentos importantes, isso pra não dizer que não falei das flores.

Paula Fernandes canta “Cavalga em meu corpo. Oh minha eterna paixão” e tá tudo bem. Já Banda Uó conta “Eu fui só a Égua que você galopou” e é brega e erótico. Por quê? As duas frases falam a mesma coisa. Que moral é essa onde o sentido tem que ficar oculto para ser aceito? É por isso que o “Brega”, o Hip Hop, Toada e tantos outros ritmos sofreu, sofre e sofreram preconceito, pois falam o que todos os ritmos fazem, falar de forma que seu público entenda.
Em entrevista ao site G1, Reginaldo Rossi deu a seguinte declaração:

“Eu entendo inglês, francês e espanhol. Fiz faculdade de engenharia. Estudei e poderia ter escrito: ‘Garçom, eu sei que estou sendo inconveniente, que todo alcoólatra no estado etílico é desagradável’ (..) Mas prefiro dialogar com o povão e cantar as dores do mundo de uma forma que tanto o pedreiro quanto o médico me entendam", afirma, com um exemplo de como seria um trecho do hit "Garçom" na forma culta.
Simples assim.
O Axé é tido, ironicamente, como o ritmo mais fácil de compor músicas, pois usam apenas junções de vogais: “A ê ô , ê ô!!” e de tão ruim como dizem ser, o Sertanejo adotou a mesma técnica em seus “ Lê lê lês” e “Bará Barás”. Veja ai o poder de persuasão de uma ou duas consoantes. Incrível!

Particularmente não sou fã de nenhum ritmo, escuto de Caetano a Viviane Batidão. Se eu estou em um momento de extrema alegria, a troco do quê vou ouvir Eduardo Lages? Da mesma forma que quando estou em dias brandos não escuto J-Pop. O que tento é me policiar com relação a expressar minha opinião como se fosse o detentor da verdade absoluta, e querer impor essa verdade baseando se meu ídolo viaja suas turnês de avião ou de ônibus.


19 de set. de 2012

Fumar, mascar chiclete e chupar balinha afeta a visão?

A Lei nº 9.294, de 15 de Julho de 1996 descreve: “Art. 2° É proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público...”. Mas nem sei por que estou citando essa lei nem é sobre isso que quero falar. Então.


O que quero descrever é a falta de educação de alguns fumantes no seu momento de lazer, infelizmente não queria generalizar, mas foi necessário. Não presenciei nenhum caso, embora eu saiba que exista, de fumantes que jogam os malditos tocos de cigarros no lixo. Não sei se sinto ira ou pena. Na primeira oportunidade eu faço questão de olhar para o toco de cigarro no chão e lentamente levanto a cabeça na direção do meliante e lógico deixar que ele perceba, em uma tentativa vã de tentar constrangê-lo e o que ele faz? Nada. Vira as costas e vai embora. Já ouvi até comentários “vamos dar emprego aos garis!”. Hô anta.

E isso vale para papeis de balinha (chamamos assim embora sejam de plástico) e as gomas de mascar, vulgo chicletes. Essa última então, só Deus. Qualquer dia desses, ainda vou criar um tutorial de como mascar o maldito chiclete, sim porque todos temos o direito de comprar gastrite e caries por dez centavos mas não somos obrigados a ver a maldita goma dançando dentro da boca do infeliz. Que nojo eu hem! E quando termina jogam no chão, que gruda na sola de alguém ou no papo de um pobre e finado pombo. A lixeira está em frente da criatura, mas ela não é vista tadinha, deve se sentir tão inútil.

Enfim... O que quero descrever é a falta de educação de algumas pessoas em ignorar as lixeiras, depois reclamam das enxurradas e enchentes decorrentes do lixo nas ruas que são arrastados para as bocas de lobo, novamente os animais levam bomba. Mas é só um papel de bala? Um toco de cigarro? Sim, se só tivéssemos apenas um usuário em toda a cidade, agora imagina centenas de pessoas jogando um papel de balas cada. A enchente vai ser de papel de balinhas.

Então meu povo, vamos olhar para aquelas benditas lixeiras coloridas espalhadas nas ruas. Elas não estão lá apenas de ornamentação, mas do jeito que vai não vai demorar em mudarem de função. Chiclete é na marrom, toco pode ser na azul e papel de bala na vermelha, caso sejas daltônico coloca no bolso e joga no lixo de casa, se é que tens um artefato desses na sua, pois seus atos afirmam que não.